Entre o que se diz e o que se articula, quem vai trair quem? – As contradições entre Luciano de Menininha e Samuel da Cunha

Por Thiago Reis

É engraçado como a ausência de uma retórica perfeitamente plastificada em alguns discursos políticos faz com que exista uma percepção distorcida da realidade. O Bastidores da Política publicou editorial na semana passada mencionando, com base em informações de bastidor, que o vice-prefeito de Propriá, Samuel da Cunha, estaria montando um pequeno grupo político que não seria tutelado pelo prefeito Luciano de Menininha e que, muito possivelmente, faria oposição a uma eventual candidatura de Luciano à reeleição em 2028.

Daí o surgimento da tese de que existe um racha entre Samuel e Luciano. É claro que Luciano não ficou alheio a esses rumores, da mesma forma que não é interessante pra ele ter Samuel como adversário, porque, além de enfrentar o próprio vice, fatalmente perderia o controle da sua base na Câmara. E nenhum prefeito quer perder o controle da sua base na Câmara.

Diante desse cenário, o que se observa é a construção pública de uma imagem de alinhamento. Em entrevista concedida ao vereador e radialista Aelson Santos, Samuel afirmou que mantém com Luciano uma relação de confiança, sintonia e fidelidade, discurso que também vem sendo reforçado pelo próprio prefeito. No entanto, ao se tomar essa declaração pelo valor de face, surgem inconsistências quando comparadas com movimentos políticos contraditórios.

Samuel tem compromisso político assumido com a reeleição do deputado federal Thiago de Joaldo, que é um dos maiores opositores da gestão do governador Fábio Mitidieri. E nesta semana surgiu a informação, divulgada pelo próprio líder do prefeito na Câmara, vereador Aelson, em seu programa de rádio, de que Samuel irá representar politicamente a candidatura ao governo de Valmir de Francisquinho em Propriá.

Esse conjunto de elementos acaba colocando em xeque a narrativa de sintonia plena entre prefeito e vice. E sinceramente, não parece plausível que decisões políticas dessa natureza não sejam previamente discutidas entre ambos. Se há alinhamento, como ambos afirmam publicamente, então os desdobramentos futuros indicam que, em algum momento, haverá ruptura ou reconfiguração dessas alianças.

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