Na política, como na vida, ninguém gosta de ouvir críticas. Mas um bom líder sabe que ter alguém para apontar erros antes que os adversários façam isso pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. É aí que entra a figura do advogado do diabo, aquele que, mesmo dentro do próprio grupo, tem a coragem de questionar decisões, prever desgastes e evitar que pequenos problemas virem crises gigantescas.
Muitos gestores e agrupamentos políticos caem na armadilha do pensamento coletivo, onde todos concordam cegamente com o líder, sem espaço para contrapontos. Isso cria uma falsa sensação de segurança. O problema é que os adversários não terão essa mesma complacência. Eles estarão atentos a cada deslize, prontos para transformar qualquer erro em um escândalo. E quando isso acontece, a falta de um advogado do diabo pode custar caro.
A função desse personagem não é ser do contra por esporte, mas sim antecipar ataques, testar a solidez das decisões e evitar que um governo ou grupo político caminhe rumo ao precipício sem perceber. No mundo corporativo por exemplo, grandes empresas mantêm equipes inteiras dedicadas a simular crises e avaliar riscos. Na política, essa prática deveria ser via de regra.
Infelizmente, muitos líderes enxergam essas vozes críticas como ameaça, e não como um mecanismo de proteção. Preferem cercar-se de bajuladores que dizem apenas o que querem ouvir e, quando o problema estoura, ficam sem defesa. O político que não aceita ser questionado dentro do próprio grupo, mais cedo ou mais tarde, será questionado pelo eleitorado.
Portanto, se uma gestão ou agrupamento político quer se manter forte, precisa valorizar aqueles que apontam falhas antes que os adversários o façam. Porque no jogo político, o pior erro não é cometer equívocos – é não perceber que está cometendo ao seu redor.
Por Thiago Reis