A Receita Federal, preservando a missão de combater sonegações, propôs monitorar a economia informal a partir das operações financeiras realizadas pelo pix e cartões de crédito, e assim, ampliar a arrecadação. Porém, a medida bateu de frente com um velho problema: a percepção pública de um governo focado mais em arrecadar do que em cortar gastos.
Essa “fúria arrecadatória” se transformou num estigma difícil de apagar, reforçado por medidas que miram o bolso do cidadão comum. Como não chamar de absurdo a ideia extinguir o sigilo bancário, para fiscalizar pequenos valores e impor a quem movimenta R$ 5 mil no mês — muitas vezes sem conhecimento tributário ou apoio jurídico — o ônus de justificar transações simples, como emprestar um cartão de débito à mãe? Quando expostos, esses pontos foram tachados de “fake news”. Mas, no Brasil, “fake news” muitas vezes é apenas a verdade inconveniente.
Quando a crise no governo explodiu a partir da vitalização do vídeo onde o deputado federal Nikolas Ferreira surge criticando essa medida, a equipe econômica buscou uma desculpa para evitar admitir o óbvio: a medida foi impopular. Ao invés de reconhecer o erro, preferiu culpar opositores e até fraudadores pela repercussão negativa, numa tentativa de desviar a atenção.
Essa postura autoritária sempre decepciona. Afinal, culpar o mensageiro ao invés de repensar a mensagem é a receita perfeita para alienar a população. A pergunta que fica é: até quando o governo vai insistir em usar desculpas ao invés de corrigir seus rumos?
No final das contas, o recado do episódio é claro: políticas públicas mal comunicadas e decisões impopulares não são culpa de fake news. São consequência de uma gestão desconectada da realidade.
Por Thiago Reis