Arrecadação bate recorde, mas dívida pública não dá trégua

O governo Lula 3 comemora um marco histórico: a arrecadação federal atingiu 2,65 trilhões de reais em 2024, um salto de quase 10% em relação ao ano anterior, mesmo descontando a inflação. Esse número, o maior em três décadas, reflete um aquecimento da economia, impulsionado pelo consumo e por medidas como a taxação de fundos offshore. No entanto, o cenário não é tão positivo quanto parece. Apesar da receita recorde, o déficit nas contas públicas persiste, mostrando que o governo continua gastando mais do que arrecada.

A promessa de equilibrar as contas foi deixada de lado. Em vez de controlar os gastos, Lula 3 optou por aumentar despesas, especialmente com políticas como o reajuste do salário mínimo e o crescimento de custos obrigatórios. Essa estratégia criou uma armadilha: os gastos sobem mais rápido que a receita, alimentando um ciclo vicioso de endividamento, e como consequência, dívida pública não para de crescer, mesmo com a arrecadação em alta.

Outro ponto que preocupa os especialistas é a natureza temporária de parte dessa receita extraordinária. Itens como a taxação de fundos offshore podem não se repetir no futuro, o que coloca em xeque a sustentabilidade do atual cenário. Além disso, manobras contábeis controversas, como a exclusão de certas despesas do orçamento, mascaram um déficit ainda maior, criando uma falsa sensação de controle.

Enquanto isso, a dívida pública segue sua trajetória ascendente, pressionando o orçamento e limitando a capacidade de investimento do governo. O que deveria ser um momento de celebração se transforma em um alerta: arrecadar mais não basta se os gastos continuarem descontrolados. A falta de um plano claro para conter o déficit nas contas públicas ameaça o futuro econômico do país.

O governo precisa repensar suas prioridades e adotar medidas concretas para equilibrar as contas. Caso contrário, a conta desse descontrole será paga pelas próximas gerações, com juros cada vez mais altos.

Por Thiago Reis

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