Bolsonaro e o futuro da Direita na América Latina

Em uma recente entrevista publicada em suas redes sociais, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez uma reflexão sobre o enfraquecimento da Direita na América Latina, por meio da crescente fragilidade que envolve os processos eleitorais em diversos países da região. Sua situação de inelegibilidade no Brasil o levou a traçar paralelos com os regimes comandados por Nicolás Maduro, na Venezuela, e Daniel Ortega, na Nicarágua, onde a oposição vem sendo sistematicamente silenciada.

Na Venezuela, líderes como María Corina Machado e Henrique Capriles foram afastados do processo eleitoral sob acusações de “atos antidemocráticos” — acusações semelhantes às que são imputadas a Bolsonaro. Já na Nicarágua, Daniel Ortega opta por estratégias ainda mais severas, prendendo lideranças opositoras antes mesmo que possam disputar o poder. Para o ex-presidente, a perseguição de líderes de oposição compromete a legitimidade do processo eleitoral.

Eu particularmente concordo que nomes como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema têm potencial, mas ainda lhes falta a projeção nacional e a conexão popular pelo menos semelhante a que Bolsonaro construiu ao longo dos anos. Porque quer você goste ou não, diante de um crescente ambiente antagônico, Bolsonaro é o único personagem que percorre de norte ao sul do país arrastando multidões pelas ruas, onde quer que ele vá.

Do ponto de vista estratégico, Bolsonaro mantém uma narrativa que reforça sua influência política e seu papel como líder de oposição. Ele reconhece a importância de mobilizar sua base e de articular a projeção de figuras de destaque para fortalecer o campo conservador. Contudo, apesar da evidente polarização do cenário político no país, a normalização de estratégias jurídicas ou repressivas que dificultam a alternância no poder e comprometem a legitimidade dos processos eleitorais, expõe a permissividade subversiva das instituições.

Concordando ou não comigo, é inegável que Bolsonaro continua sendo a figura central da direita latino-americana. Muito embora sua trajetória o tenha consolidado como uma liderança que ultrapassa as fronteiras do Brasil em relevância, a exclusão de adversários políticos e o aparelhamento das instituições, ainda representam desafios consideráveis a serem superados.

Por Thiago

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