As especulações sobre um possível rompimento entre o ex-deputado André Moura e o governador Fábio Mitidieri não surgem do nada. Mas a pergunta que realmente importa é: a quem interessa criar esse clima de animosidade? Ambos pertencem ao mesmo agrupamento e, no atual cenário, não há sinais de polarização entre os dois principais nomes desse bloco.
Se há tanto esforço em alimentar essa ideia, alguém certamente espera se beneficiar. E não são os bajuladores de plantão que vivem em torno de Fábio ou André, pois não possuem relevância suficiente para influenciar os rumos da política estadual. Os verdadeiros interessados são aqueles que almejam um protagonismo que não conquistaram, usando a imprensa para lançar especulações infundadas e criar um cenário de instabilidade que, na prática, não existe.
O episódio envolvendo a eleição em Aracaju e a candidatura de Yandra Moura serve de exemplo. É natural que um pai reaja ao ver sua filha ser atacada, mesmo que politicamente. Mas André, ainda que demonstrando indignação, nunca deu sinais de rompimento com Fábio. Quem tenta transformar essa situação em um divisor de águas na relação entre os dois, ignora o histórico de compromisso do governador.
Fábio Mitidieri tem demonstrado ser um político de palavra, algo raro no meio. Seu apoio a Luiz Roberto na capital foi prova disso. Da mesma forma que Edvaldo Nogueira confiou nesse compromisso, André também pode confiar, independentemente das narrativas que tentam desgastar essa aliança de olho em 2026.
Se fosse apenas um boato sem propósito, Fábio e André não precisariam reafirmar publicamente sua parceria. Mas quando personagens secundários tentam criar animosidades onde não há, fica evidente que o jogo em questão não é apenas eleitoral, mas de interesses pessoais. O problema é que especulação não constrói liderança – e protagonismo não se impõe, se conquista.
Por Thiago Reis