Por Thiago Reis
Hoje pela manhã eu acompanhei atentamente a entrevista que o ex-prefeito de Itabaiana e pré-candidato ao governo de Sergipe, Valmir de Francisquinho, concedeu a uma emissora de rádio da capital. Alguns trechos me chamaram atenção, sobretudo a comparação que Valmir traçou entre sua própria trajetória e a de José, que foi governador do Egito.
Valmir afirmou ter recusado inúmeras propostas pra que abandonasse essa empreitada, mas que por ter sido ele, ungido por Deus, não poderia se furtar a atendê-la. É engraçado como determinadas figuras públicas recorrem a esse tipo de narrativa, pinçando passagens e personagens bíblicos para construir no imaginário do eleitorado um cenário de redenção.
O problema é que esse todo esse contorcionismo retórico, por mais elaborado que possa parecer, encontra dificuldade quando confrontado contra a realidade. E o próprio fato de Valmir sustentar sua pré-candidatura amparado por uma decisão liminar já indica uma tentativa clara de dialogar com um público específico, menos atento às nuances jurídicas que cercam esse ambiente. Essa forma de se comunicar busca justamente criar um vínculo com o eleitor desinformado.
Valmir sustentou que a gestão do governador Fábio Mitidieri não tem entregas. Ele próprio citou o hospital do câncer, e eu pego exatamente esse caso. Segundo Valmir, trata-se de uma obra do Proinveste, do financiamento obtido quando Marcelo Déda era vivo.
E aí ele evocou o princípio da impessoalidade, dizendo que todo governo precisa ser impessoal, e está correto nesse ponto. Porém, todos os antecessores de Mitidieri, incluindo Belivaldo Chagas, legaram ao governo de plantão apenas 8% da obra concluída. E Fábio, antes de encerrar seu primeiro mandato, entregou o hospital pronto e funcionando. Esse tipo de informação o eleitor menos esclarecido simplesmente não vai buscar e termina sendo capturado pelo contorcionismo retórico de Valmir.
No fim das contas, a disputa pelo governo do estado vai ser pautada por acrobacias discursivas que forjar uma identidade com o eleitorado, e os fatos que falam por si.

