Mitidieri lidera corrida pela reeleição em Sergipe, mas dados do Veritá sobre rejeição no Senado não resistem ao crivo da lógica

Por Thiago Reis

O Instituto Veritá foi a campo entre 13 e 19 de março, ouvindo 1.220 eleitores sergipanos. A pesquisa foi registrada sob o número BR-01637/2026, e possui margem de erro de 3 pontos percentuais e 95% de confiança, traçando um panorama detalhado das disputas pela Presidência da República, pelo Governo do Estado e pelo Senado.

Na disputa pelo Governo do Estado, Fábio Mitidieri (PSD) aparece em posição confortável. No cenário estimulado, lidera com 44,2% dos votos válidos, abrindo quase dez pontos de vantagem sobre o agora ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (Republicanos), que marca 34,5%. Ricardo Marques (Cidadania) aparece em terceiro, com 17,6%, e os demais somam 3,7%. Na espontânea, o quadro se repete. Mitidieri alcança 45,2%, contra 39,2% de Valmir e 9,8% de Ricardo Marques.

Essa pesquisa feita pelo Instituto Veritá aponta um cenário que qualquer governador em busca de reeleição gostaria de ter: Liderança consolidado na cabeça do eleitor e uma rejeição de 36,8% que, embora seja a maior entre os candidatos ao governo, não compromete a dianteira. Valmir tem rejeição menor (22,3%), mas não consegue converter essa vantagem em intenção de voto suficiente para ameaçar o primeiro lugar. Mitidieri chega a março de 2026 como franco favorito à reeleição.

Na corrida presidencial, o cenário estimulado aponta Lula (PT) com 51,3% dos votos válidos, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 39,1%, Ratinho Júnior (PSD) com 3,3% e outros com 6,2%. Na espontânea, a vantagem se amplia. Lula alcança 59,7%, contra 30,0% de Flávio, 6,4% de Jair Bolsonaro e 4,0% para os demais. O dado que muda o tom da conversa está na rejeição. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 49,8% dos entrevistados, enquanto Lula acumula 42,3%. A diferença é de apenas sete pontos e meio. Mais de quatro em cada dez sergipanos afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum. Guarde esse número.

Ninguém discute que a rejeição de Flávio Bolsonaro em Sergipe está diretamente atrelada ao seu sobrenome. Ele nunca disputou eleição no estado, não construiu base local, não tem trajetória política ligada ao eleitor sergipano. O que pesa contra ele é o bolsonarismo. A pesquisa confirma isso com clareza, e o raciocínio faz sentido. A marca ideológica se transfere para quem a carrega.

Acontece que essa mesma lógica, quando aplicada ao outro lado do espectro, simplesmente não se sustenta nos dados apresentados pelo Veritá. Se o bolsonarismo contamina Flávio com quase 50% de rejeição, o petismo deveria projetar sobre a pré-candidatura a reeleição do senador Rogério Carvalho, um dos maiores nomes do PT em Sergipe, ao menos parte dos 42,3% de rejeição que Lula carrega no estado. Deveria. Mas o que a pesquisa mostra é o contrário.

Procure Rogério Carvalho entre os nomes mais rejeitados na disputa pelo Senado, que foram apontados pelo Instituto Veritá. Ele não aparece. A lista é encabeçada por André Moura, com 23,2%, seguido por Adailton, com 19,2%, e Alessandro Vieira, com 15,6%. O senador do PT, do mesmo partido cujo líder nacional é rejeitado por quatro em cada dez eleitores sergipanos, passa ileso pelo filtro da rejeição.

Na pesquisa espontânea para o Senado, Rogério lidera com 25,3%, à frente de Alessandro Vieira (23,7%) e André Moura (22,0%). Já no cenário estimulado, recua para o terceiro lugar, com 13,0%, atrás de Alessandro (24,7%) e André Moura (19,7%). O candidato do partido mais rejeitado na disputa presidencial é, ao mesmo tempo, o primeiro nome que vem à cabeça do eleitor sergipano quando o assunto é a disputa pelo Senado. É como se Rogério não carregasse sobre sua pré-candidatura nenhum ônus da sigla que o representa.

Em um ambiente totalmente polarizado como é o que existe hoje em todo o país; onde a identidade ideológica costuma caminhar junto com a rejeição, a desconexão entre os números da disputa pela Presidência e da corrida pelo Senado em Sergipe não passa despercebida e abre espaço para questionamentos sobre até que ponto essa transferência ocorre de forma equilibrada entre os dois campos.

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