Nas redes sociais, o pré-candidato ao Senado André Davi saca o celular mais rápido do que um pistoleiro de faroeste sacava o revólver. Para cada problema complexo, uma solução simples. Para cada crítica, uma postagem. Para cada holofote, uma pose. O problema é que segurança pública não é filme de bangue-bangue. Não se resume a mocinho e bandido, xerife e vilão, arma e confronto. Segurança pública é coisa séria: exige planejamento, inteligência, investimento, controle, responsabilidade e respeito aos limites da lei.
André Davi construiu sua imagem pública em torno da ação direta. Delegado de carreira, passou por áreas sensíveis da Polícia Civil e comandou operações de forte apelo repressivo. Sua trajetória policial existe e deve ser reconhecida. Mas também precisa ser questionada quando a lógica do confronto vira capital eleitoral. Há registros de operações sob sua coordenação que terminaram com mortes de suspeitos. Em todos esses casos, a versão oficial aponta reação armada dos investigados. Ainda assim, é preciso encarar a pergunta incômoda: quem costuma morrer nesse modelo de segurança? Quase sempre são pobres, pretos e periféricos.
Quando a letalidade vira pauta de campanha eleitoral, a política pública vira espetáculo. Esse padrão também apareceu em sua passagem pela Secretaria Municipal da Defesa Social e da Cidadania de Aracaju. Flanelinhas, ambulantes e trabalhadores informais passaram a ser tratados como problema de polícia antes de serem vistos como consequência de exclusão social, desemprego e abandono urbano.
O caso dos 18 guardadores de carros conduzidos à delegacia é emblemático. A ação provocou reação do Ministério Público e abriu debate sobre abuso, proporcionalidade e seletividade racial. O promotor Rogério Ferreira foi direto: “Dezoito pessoas foram presas, todos presos, todos pretos, por suposta prática de extorsão contra duas vítimas. E aí já me surge uma pergunta: dezoito pessoas extorquiram duas? Eu já vi estupro coletivo, agora extorsão coletiva eu nunca vi”.
Não se trata de defender ilegalidade. Se há extorsão, ameaça ou crime, que se investigue e se puna dentro da lei. O que não se pode aceitar é transformar pobreza em alvo preferencial da força pública. O trabalhador informal não pode ser tratado automaticamente como inimigo da ordem. André Davi tenta vender firmeza no combate à criminalidade. Mas firmeza sem equilíbrio vira truculência. Coragem sem controle vira abuso. Segurança sem política social vira perseguição aos de baixo.
Sergipe não precisa de um xerife de internet no Senado. Precisa de segurança pública séria, transparente e coletiva. Uma pauta tão essencial para um mandato de senador não se constrói com vídeo, lacração ou frase de efeito. Constrói-se com políticas públicas, polícia forte, inteligência, prevenção, controle democrático e respeito à vida. No fim, cabe ao eleitor separar quem combate a criminalidade de quem apenas caça curtidas. Porque, quando a segurança vira palco de autopromoção, quem paga a conta é sempre a mesma gente: o pobre, o preto e o periférico!
Nas redes sociais, o pré-candidato ao Senado André Davi saca o celular mais rápido do que um pistoleiro de faroeste sacava o revólver. Para cada problema complexo, uma solução simples. Para cada crítica, uma postagem. Para cada holofote, uma pose. O problema é que segurança pública não é filme de bangue-bangue. Não se resume a mocinho e bandido, xerife e vilão, arma e confronto. Segurança pública é coisa séria: exige planejamento, inteligência, investimento, controle, responsabilidade e respeito aos limites da lei.
André Davi construiu sua imagem pública em torno da ação direta. Delegado de carreira, passou por áreas sensíveis da Polícia Civil e comandou operações de forte apelo repressivo. Sua trajetória policial existe e deve ser reconhecida. Mas também precisa ser questionada quando a lógica do confronto vira capital eleitoral. Há registros de operações sob sua coordenação que terminaram com mortes de suspeitos. Em todos esses casos, a versão oficial aponta reação armada dos investigados. Ainda assim, é preciso encarar a pergunta incômoda: quem costuma morrer nesse modelo de segurança? Quase sempre são pobres, pretos e periféricos.
Quando a letalidade vira pauta de campanha eleitoral, a política pública vira espetáculo. Esse padrão também apareceu em sua passagem pela Secretaria Municipal da Defesa Social e da Cidadania de Aracaju. Flanelinhas, ambulantes e trabalhadores informais passaram a ser tratados como problema de polícia antes de serem vistos como consequência de exclusão social, desemprego e abandono urbano.
O caso dos 18 guardadores de carros conduzidos à delegacia é emblemático. A ação provocou reação do Ministério Público e abriu debate sobre abuso, proporcionalidade e seletividade racial. O promotor Rogério Ferreira foi direto: “Dezoito pessoas foram presas, todos presos, todos pretos, por suposta prática de extorsão contra duas vítimas. E aí já me surge uma pergunta: dezoito pessoas extorquiram duas? Eu já vi estupro coletivo, agora extorsão coletiva eu nunca vi”.
Não se trata de defender ilegalidade. Se há extorsão, ameaça ou crime, que se investigue e se puna dentro da lei. O que não se pode aceitar é transformar pobreza em alvo preferencial da força pública. O trabalhador informal não pode ser tratado automaticamente como inimigo da ordem. André Davi tenta vender firmeza no combate à criminalidade. Mas firmeza sem equilíbrio vira truculência. Coragem sem controle vira abuso. Segurança sem política social vira perseguição aos de baixo.
Sergipe não precisa de um xerife de internet no Senado. Precisa de segurança pública séria, transparente e coletiva. Uma pauta tão essencial para um mandato de senador não se constrói com vídeo, lacração ou frase de efeito. Constrói-se com políticas públicas, polícia forte, inteligência, prevenção, controle democrático e respeito à vida. No fim, cabe ao eleitor separar quem combate a criminalidade de quem apenas caça curtidas. Porque, quando a segurança vira palco de autopromoção, quem paga a conta é sempre a mesma gente: o pobre, o preto e o periférico!

